{"id":264,"date":"2011-08-18T11:55:25","date_gmt":"2011-08-18T17:55:25","guid":{"rendered":"http:\/\/staging.crlang.flywheelsites.com\/?p=264"},"modified":"2023-08-04T15:20:22","modified_gmt":"2023-08-04T21:20:22","slug":"sobre-o-estudo-de-idiomas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crlanguages.com\/pt\/on-language-study\/","title":{"rendered":"Sobre o estudo de idiomas..."},"content":{"rendered":"<p>Por onde come\u00e7ar? Acho que vou come\u00e7ar pelo presente. Afinal, o presente \u00e9 onde todos come\u00e7amos quando come\u00e7amos a estudar uma nova l\u00edngua. \u2018Estou com fome.\u2019 \u2018Meu nome \u00e9 Roger.\u2019 \u2018Sou de Idaho.\u2019 \u2018Acredito na educa\u00e7\u00e3o.\u2019 E acredito que a educa\u00e7\u00e3o come\u00e7a com a comunica\u00e7\u00e3o, com a l\u00edngua, algo que muitas vezes ignoramos.<\/p>\n<p>A primeira vez que viajei para um pa\u00eds estrangeiro, descobri o poder das l\u00ednguas. Eu j\u00e1 tinha estudado um pouco de espanhol no ensino m\u00e9dio, como muitos, mas ainda n\u00e3o tinha percebido o potencial da l\u00edngua, ainda n\u00e3o tinha sido inspirado pela l\u00edngua. Foi s\u00f3 quando me vi completamente sem palavras e totalmente desamparado em outro pa\u00eds que percebi a incr\u00edvel import\u00e2ncia de uma ferramenta que eu tinha dado como certa toda a minha vida: a capacidade de me comunicar. A experi\u00eancia foi sublime. Desde ent\u00e3o, nunca mais olhei para tr\u00e1s. A oito fusos hor\u00e1rios de dist\u00e2ncia, vivendo um estilo de vida estrangeiro e cercado por uma l\u00edngua que eu n\u00e3o falava, descobri algo sobre mim mesmo. Descobri uma paix\u00e3o intensa por idiomas. Ironicamente, persegui-la me levou de volta para casa, em Idaho.<\/p>\n<p>Estudar um idioma n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Na verdade, aprender outro idioma \u00e9 uma das tarefas mais desafiadoras que algu\u00e9m pode assumir. Por essa mesma raz\u00e3o, as recompensas s\u00e3o extraordin\u00e1rias. O exerc\u00edcio mental de dissecar o que soa como ru\u00eddo e transform\u00e1-lo em uma sequ\u00eancia de palavras, partes do discurso, a\u00e7\u00f5es, objetos, sonhos e ideias \u00e9 realmente cansativo. O c\u00e9rebro est\u00e1 constantemente trabalhando horas extras para conjurar os conceitos mais simples, como um pedido de caf\u00e9. O que normalmente sairia da sua boca sem nem pensar se transforma repentinamente em um monstro de substantivos, conjuga\u00e7\u00f5es, nega\u00e7\u00f5es e preposi\u00e7\u00f5es, quando tudo o que voc\u00ea realmente quer \u00e9 aquela x\u00edcara de caf\u00e9 familiar, fumegante e revigorante. N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que, depois de usar uma l\u00edngua estrangeira por qualquer per\u00edodo de tempo, a capacidade de se comunicar em nossa pr\u00f3pria l\u00edngua ganha um novo n\u00edvel de aprecia\u00e7\u00e3o e facilidade.<\/p>\n<p>Mas estudar uma l\u00edngua estrangeira \u00e9 muito mais do que pedir uma x\u00edcara de caf\u00e9, muito mais profundo do que uma conversa superficial em uma l\u00edngua estrangeira. Al\u00e9m dos exerc\u00edcios mentais de estudar uma l\u00edngua estrangeira, tamb\u00e9m ganhamos uma perspectiva nova e diferente do mundo, algo inestim\u00e1vel na sociedade atual. Ao estudar uma l\u00edngua estrangeira, aprendemos sobre cultura. Aprendemos como os outros se apresentam, como se descrevem, como se expressam. Aprendemos sobre quem eles s\u00e3o, sua cultura, sua identidade. E a identidade \u00e9 a base sobre a qual agimos. Reconhecer a cultura e a identidade de algu\u00e9m \u00e9 a chave para construir relacionamentos. E n\u00e3o h\u00e1 melhor maneira de estudar uma cultura do que estudando sua l\u00edngua.<\/p>\n<p>No entanto, a jornada de descobertas ao estudar uma l\u00edngua estrangeira n\u00e3o termina do outro lado do mundo. Surpreendentemente, ela termina conosco. A agonia de memorizar vocabul\u00e1rio e tabelas de verbos, sofrer o constrangimento de malapropismos, sentir-se perdido na tradu\u00e7\u00e3o e trope\u00e7ar na pr\u00f3pria l\u00edngua tem um efeito colateral inesperado: nos ensina sobre n\u00f3s mesmos. Imagine por um segundo como seria come\u00e7ar do zero, ter o vocabul\u00e1rio de uma crian\u00e7a de quatro anos. Imagine por um segundo se a \u00fanica coisa que voc\u00ea pudesse dizer fosse no tempo presente. O que voc\u00ea diria a algu\u00e9m que n\u00e3o conhece?<\/p>\n<p>Mergulhar em uma nova l\u00edngua e cultura nos coloca de volta ao in\u00edcio. Redescobrimos o que \u00e9 importante para n\u00f3s, nossos valores. De repente, somos privados do conforto de nossa l\u00edngua materna, de nossa pr\u00f3pria cultura, e ficamos com o que resta. E, de repente, nos deparamos com o que costumava ser uma pergunta t\u00e3o simples, tr\u00eas palavras simples no tempo presente: \u201cQuem \u00e9 voc\u00ea?\u201d<\/p>\n<p>Roger Rowles<\/p>\n<p>Boise, Idaho<\/p>\n<p>Outono de 2010<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por onde come\u00e7o? Acho que vou come\u00e7ar pelo presente. 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